Postado em 4/11/2009 19:31 por Fernando Gomes
Especial Amapá 3 - Revecom, a micro Amazônia urbana

Quem vai ao Amapá pode fazer o primeiro contato com a floresta amazônica antes de sair da área urbana. No município de Santana, colado à Macapá, está a REVECOM, uma bela RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural, aberta à visitação. São mais de 170 mil m2 de matas preservadas (terra firme e várzea), com duas trilhas nas quais se pode observar espécies da fauna e da flora da região.
Até setembro de 2009 cerca de 14 mil visitantes brasileiros e estrangeiros passaram pela reserva.

Jaguatirica, 3º. maior felino das Américas. Muito caçada no passado, a espécie foi extinta nos Estados Unidos e corre o mesmo risco no Brasil devido a destruição de seu habitat.
Mais do que oferecer horas agradáveis aos turistas, a reserva desempenha um importante papel ambiental, como a hospedagem e o tratamento de animais silvestres recolhidos pelos órgãos ambientais estaduais. Os animais apreendidos do tráfico geralmente chegam feridos, estressados e famintos. Mais de 550 animais, principalmente aves, já foram recuperados e devolvidos ao seu habitat.
Outro projeto importante a ser observado é a criação de tartarugas. Um ambiente apropriado foi criado para a desova, numa área de várzea banhada pelo Amazonas. Os ovos permanecem protegidos dos predadores e os filhotes crescem em segurança até que possam ser soltos.

Exemplar de harpia, ou águia-real. Considerada a maior e mais forte ave de rapina do Brasil. Ameaçada de extinção, está restrita à Amazônia.
A criação e a permanência dessa RPPN no meio urbano se deve ao médico carioca Paulo Roberto Neme Amorim. Ele saiu do Rio de Janeiro em 1974, já inconformado com o crescimento do índice de violência na cidade, e se fixou no Amapá, trabalhando como médico. Em 1998, diante da ameaça de derrubada da mata onde está a reserva, ele e a esposa juntaram todos os recursos que tinham, compraram a área e a transformaram numa RPPN, ou seja, num bem público que não pode mais ser alterado, está garantido para as gerações futuras. A área estava degradada e foi aos poucos sendo recuperada e atraiu de volta os animais silvestres.
A atitude generosa foi coerente com o pensamento de Paulo, um ambientalista intransigente. Formado também em biologia e em gestão ambiental, Paulo é um homem culto e poliglota. Convicto de sua “religião”, ele fala sobre meio ambiente sempre com o mesmo fervor, seja para os turistas estrangeiros e brasileiros, seja para os escolares que visitam a Revecom para receberem educação ambiental durante passeios pela mata. A companhia carismática de Paulo Amorim é fundamental para quem deseja fazer uma visita significativa à reserva.

Apoiando-se com um cajado ganho de um índio que ele curou, Paulo Amorim faz educação ambiental como um sacerdote.

Turistas visitam um modelo típico de casa dos ribeirinhos – uma das atrações da reserva.

Modelo antigo de barco utilizado para transporte é atração na reserva. A fé religiosa ajuda a vencer os desafios dos grandes rios amazônicos.







