Turismo coloca em risco Rio Formoso - Bonito

Apesar de ser um dos pólos mais importantes do ecoturismo, algumas atividades turísticas realizadas no Rio Formoso, um dos principais da região, podem causar danos ao ambiente, como aponta uma pesquisa de doutorado apresentada na Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) da USP em dezembro de 2007.
O pesquisador, biólogo Paulino Barroso Medina Júnior, sugere que a avaliação da integridade física e biológica dos ecossistemas utilizados para o turismo em Bonito passe a ser usada como ferramenta de monitoramento e gestão ambiental do lugar. “Para avaliar e monitorar o impacto ambiental causado pelo turismo na região, percebemos que a erosão nas tufas e nas margens do rio, bem como a riqueza de invertebrados bentônicos - pequenos organismos que vivem no fundo do rio - são os indicadores ambientais mais adequados do que a simples medição da qualidade da água”, informa. Essa avaliação pode ser facilitada por uma das belas características da cidade: a claridade da água de seus rios.
“A maioria desses empreendimentos (atividades como passeios de bote, arvorismo, trilhas, mergulho, flutuação, banhos no rio e bóiacross, entre outros, no rio Formoso) está operando sem se adequar às licenças ambientais”, informa o pesquisador. De acordo com Medina, eles deveriam apresentar estudos ambientais apropriados e propostas de controle e monitoramento ambiental junto ao IMASUL. “Também é recomendável a realização de uma avaliação específica dos impactos ambientais já gerados pelas atividades em funcionamento e sem a devida licença ambiental.”

As análises também permitiram identificar que as atividades em que o visitante apresenta maior contato com o fundo do rio e com as tufas calcárias são as que podem causar maior dano ao ambiente. O arvorismo, no qual o turista tem menor contato com o ambiente aquático, é a atividade que causa menor dano ao rio.
Medina Junior aplicou um questionário a 373 visitantes dos empreendimentos de turismo situados às margens do Rio Formoso e constatou que quanto menor o grau de exigência ambiental do visitante, paradoxalmente, maior a tolerância deste com os impactos ambientais provocados pelo turismo nas áreas visitadas. “A maior parte dos turistas possuía nível universitário e, mesmo tendo acesso a informações ambientais, apresentavam um mau comportamento ao utilizarem o rio em suas atividades turísticas”, afirma o pesquisador. “Há placas indicando para as pessoas não subirem nas tufas, mas muitas subiam mesmo assim”, exemplifica.







